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Economia

Como a Ruiz Coffees, 2ª maior produtora de café do Brasil, chegou a R$ 1,6 bilhão em dívidas e pediu RJ

Como a Ruiz Coffees, 2ª maior produtora de café do Brasil, chegou a R$ 1,6 bilhão em dívidas e pediu RJ

A Ruiz Coffees, uma das maiores produtoras de café do país, entrou com pedido de recuperação judicial com dívidas de cerca de R$ 1,6 bilhão. O processo foi protocolado em 8 de outubro na Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto (SP) e reúne empresas do grupo e produtores rurais ligados à família Ruiz.

Em 9 de outubro, a Justiça antecipou os efeitos do processamento da recuperação judicial e suspendeu por 30 dias as execuções de dívidas e outras medidas de constrição relativas aos créditos sujeitos ao processo.

Também proibiu os credores de antecipar o vencimento de contratos em razão do pedido e reconheceu a essencialidade do café produzido pelo grupo, suspendendo arrestos e penhoras sobre sacas já colhidas e frutos pendentes.

A recuperação judicial, porém, ainda depende de uma análise prévia das condições de funcionamento das empresas. A verificação foi determinada à Compasso Administração e Consultoria Empresarial e está em andamento. Após a conclusão, a Justiça decidirá sobre o processamento definitivo do pedido.

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Segundo a Ruiz Coffees, a decisão de recorrer à recuperação judicial foi tomada depois que alguns credores deixaram as negociações e adotaram medidas para executar dívidas.

A empresa afirma que vinha tentando reorganizar o passivo desde 2025, por meio de tratativas individuais com os credores, e que pretende continuar as negociações sob a proteção judicial.

Dívida de R$ 1,6 bilhão

Do total do passivo informado na petição inicial, cerca de R$ 775 milhões estão sujeitos à recuperação judicial, enquanto aproximadamente R$ 820 milhões ficam fora do processo, nos termos da Lei 11.101/2005, que regula a recuperação judicial e a falência.

Os créditos não sujeitos à recuperação correspondem, em sua maior parte, a operações que têm imóveis rurais como garantia, contratadas com bancos, cooperativas de crédito e por meio de operações estruturadas no mercado de capitais.

Entre os maiores credores relacionados no pedido estão a Caixa, com R$ 130,8 milhões a receber; a securitizadora Vert, com R$ 109,3 milhões; e a cooperativa de crédito Sicoob, com R$ 77,9 milhões.

Três safras frustradas

A Ruiz Coffees atribui a origem da crise a três safras consecutivas prejudicadas por eventos climáticos. Segundo a companhia, a geada de julho de 2021 afetou as colheitas seguintes, enquanto o calor extremo durante a florada de 2023 e a estiagem de 2024 reduziram a produção.

As quebras ficaram entre 14% e 28% dos volumes inicialmente orçados, de acordo com a empresa, superando a retração média da produção nacional de café arábica.

O modelo de financiamento da atividade também contribuiu para agravar a situação. O custeio de uma safra depende dos recursos gerados pela anterior. Com três colheitas consecutivas abaixo do esperado, o grupo perdeu capacidade de financiar os ciclos seguintes.

A alta dos preços do café, que poderia aliviar a situação financeira, não se traduziu integralmente em receita adicional para a companhia. Isso porque uma parcela relevante da produção já havia sido vendida a termo para tradings, com preços fixados antes da valorização.

Com a quebra das safras, o grupo teve dificuldades para cumprir as entregas físicas contratadas e precisou reprogramar volumes entre colheitas. Segundo a empresa, parte dos recebíveis dessas vendas também havia sido oferecida como garantia aos financiadores, o que limitou a disponibilidade de recursos.

A esse cenário se somou a alta dos juros, que elevou o custo das dívidas indexadas ao CDI.

Ao mesmo tempo, a retração do crédito ao agronegócio dificultou a renovação de linhas de financiamento e de operações estruturadas, cujos vencimentos se concentraram em 2025 e 2026.

A combinação entre produção em baixa e dificuldades maiores para refinanciar a dívida levou à deterioração do caixa. A Ruiz Coffees, de qualquer forma, diz que enfrenta uma crise de liquidez, e não de viabilidade operacional, e diz que a atividade segue rentável.

Fazendas dadas em garantia

A maior parte dos imóveis do grupo virou garantia nas operações de financiamento. Em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e estruturas com fundos de investimento que os renovam, 1,5 mil hectares de áreas de café estão vinculados às garantias.

O volume equivale a um quinto da área cultivada pelo grupo. Outros 1,1 mil hectares vinculados a essas operações são áreas de cana-de-açúcar, sem cultivo de café. A companhia não informou uma estimativa de valor de mercado das propriedades nem individualizou os imóveis fora dos autos.

Antes do pedido de recuperação judicial, uma das alternativas discutidas com os credores era transferir fazendas dadas em garantia para um fundo formado por financiadores. As terras seriam arrendadas à própria companhia, que continuaria a produção e teria a opção de recompra no longo prazo.

A venda de parte das propriedades também foi considerada para reduzir o endividamento. Segundo a Ruiz Coffees, a venda de ativos não essenciais à operação continua em avaliação e poderá integrar o plano de recuperação judicial. A empresa afirma que não há negociações de venda em andamento a serem divulgadas, e que a continuação da atividade agrícola é uma prioridade.

A Ruiz Coffees cultiva café em Minas Gerais e na Bahia e mantém um armazém em Piumhi (MG), com capacidade para 160 mil sacas. Fundada em 1930 por João Ruiz Lourenço, em Bálsamo (SP), a companhia é administrada atualmente pela quarta geração da família.

A Ruiz Coffees, uma das maiores produtoras de café do país, entrou com pedido de recuperação judicial com dívidas de cerca de R$ 1,6 bilhão. O processo foi protocolado em 8 de outubro na Vara Regional Empresarial de São José do Rio Preto (SP) e reúne empresas do grupo e produtores rurais ligados à família Ruiz.

Em 9 de outubro, a Justiça antecipou os efeitos do processamento da recuperação judicial e suspendeu por 30 dias as execuções de dívidas e outras medidas de constrição relativas aos créditos sujeitos ao processo.

Também proibiu os credores de antecipar o vencimento de contratos em razão do pedido e reconheceu a essencialidade do café produzido pelo grupo, suspendendo arrestos e penhoras sobre sacas já colhidas e frutos pendentes.

A recuperação judicial, porém, ainda depende de uma análise prévia das condições de funcionamento das empresas. A verificação foi determinada à Compasso Administração e Consultoria Empresarial e está em andamento. Após a conclusão, a Justiça decidirá sobre o processamento definitivo do pedido.

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Segundo a Ruiz Coffees, a decisão de recorrer à recuperação judicial foi tomada depois que alguns credores deixaram as negociações e adotaram medidas para executar dívidas.

A empresa afirma que vinha tentando reorganizar o passivo desde 2025, por meio de tratativas individuais com os credores, e que pretende continuar as negociações sob a proteção judicial.

Dívida de R$ 1,6 bilhão

Do total do passivo informado na petição inicial, cerca de R$ 775 milhões estão sujeitos à recuperação judicial, enquanto aproximadamente R$ 820 milhões ficam fora do processo, nos termos da Lei 11.101/2005, que regula a recuperação judicial e a falência.

Os créditos não sujeitos à recuperação correspondem, em sua maior parte, a operações que têm imóveis rurais como garantia, contratadas com bancos, cooperativas de crédito e por meio de operações estruturadas no mercado de capitais.

Entre os maiores credores relacionados no pedido estão a Caixa, com R$ 130,8 milhões a receber; a securitizadora Vert, com R$ 109,3 milhões; e a cooperativa de crédito Sicoob, com R$ 77,9 milhões.

Três safras frustradas

A Ruiz Coffees atribui a origem da crise a três safras consecutivas prejudicadas por eventos climáticos. Segundo a companhia, a geada de julho de 2021 afetou as colheitas seguintes, enquanto o calor extremo durante a florada de 2023 e a estiagem de 2024 reduziram a produção.

As quebras ficaram entre 14% e 28% dos volumes inicialmente orçados, de acordo com a empresa, superando a retração média da produção nacional de café arábica.

O modelo de financiamento da atividade também contribuiu para agravar a situação. O custeio de uma safra depende dos recursos gerados pela anterior. Com três colheitas consecutivas abaixo do esperado, o grupo perdeu capacidade de financiar os ciclos seguintes.

A alta dos preços do café, que poderia aliviar a situação financeira, não se traduziu integralmente em receita adicional para a companhia. Isso porque uma parcela relevante da produção já havia sido vendida a termo para tradings, com preços fixados antes da valorização.

Com a quebra das safras, o grupo teve dificuldades para cumprir as entregas físicas contratadas e precisou reprogramar volumes entre colheitas. Segundo a empresa, parte dos recebíveis dessas vendas também havia sido oferecida como garantia aos financiadores, o que limitou a disponibilidade de recursos.

A esse cenário se somou a alta dos juros, que elevou o custo das dívidas indexadas ao CDI.

Ao mesmo tempo, a retração do crédito ao agronegócio dificultou a renovação de linhas de financiamento e de operações estruturadas, cujos vencimentos se concentraram em 2025 e 2026.

A combinação entre produção em baixa e dificuldades maiores para refinanciar a dívida levou à deterioração do caixa. A Ruiz Coffees, de qualquer forma, diz que enfrenta uma crise de liquidez, e não de viabilidade operacional, e diz que a atividade segue rentável.

Fazendas dadas em garantia

A maior parte dos imóveis do grupo virou garantia nas operações de financiamento. Em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e estruturas com fundos de investimento que os renovam, 1,5 mil hectares de áreas de café estão vinculados às garantias.

O volume equivale a um quinto da área cultivada pelo grupo. Outros 1,1 mil hectares vinculados a essas operações são áreas de cana-de-açúcar, sem cultivo de café. A companhia não informou uma estimativa de valor de mercado das propriedades nem individualizou os imóveis fora dos autos.

Antes do pedido de recuperação judicial, uma das alternativas discutidas com os credores era transferir fazendas dadas em garantia para um fundo formado por financiadores. As terras seriam arrendadas à própria companhia, que continuaria a produção e teria a opção de recompra no longo prazo.

A venda de parte das propriedades também foi considerada para reduzir o endividamento. Segundo a Ruiz Coffees, a venda de ativos não essenciais à operação continua em avaliação e poderá integrar o plano de recuperação judicial. A empresa afirma que não há negociações de venda em andamento a serem divulgadas, e que a continuação da atividade agrícola é uma prioridade.

A Ruiz Coffees cultiva café em Minas Gerais e na Bahia e mantém um armazém em Piumhi (MG), com capacidade para 160 mil sacas. Fundada em 1930 por João Ruiz Lourenço, em Bálsamo (SP), a companhia é administrada atualmente pela quarta geração da família.